segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Produção de Textos sobre as Experiências com a Leitura e Escrita - módulo 2



      Em uma das etapas do Curso de Formação à Distância – Leitura e Escrita em Contexto Digital da SEE-SP, 2012, nossa tarefa foi conhecer e estudar o conceito e a história do blog, ver suas possibilidades para utilizá-las na aprendizagem de nosso alunos. Para isso visitamos blogs, assistimos entrevistas e criamos um blog colaborativo.
O resultado dessa experiência está aqui, com o nascimento do blog “escolaonlinemmfde”. Nossa primeira publicação é uma produção de textos que tratam da experiência de cada professor do grupo sobre a leitura e a escrita. . .
A importância da família e da escola podem ser comprovados nessas experiências !
São depoimentos que emocionam . . .Faça essa viajem e recorde seus primeiros passos com a leitura e a escrita!
 
Lembranças sobre a Leitura e a Escrita . . .

              Quando relembrei meu primeiro contato com a leitura, na memória estavam coleções bem coloridas e ilustradas que minha mãe comprava (vendiam-se coleções na porta de casa na minha infância que eram pagas em prestações). As imagens reproduziam o texto que continham duas frases mais ou menos . . . Era maravilhoso quando minha mãe lia e mostrava as figuras para nós. E quantas vezes ela lia a mesma história, e era muito bom ! Gostava das fábulas, dos contos de fadas e das histórias em quadrinhos . . .
 
            A história em quadrinhos fez parte do meu gosto pela leitura . . . É um mundo fascinante, divertido, cheio de emoções, expressões, mensagens . . . 
  
    Meus pais sempre incentivaram a leitura. A escrita veio depois,  queria entender esse jogo de palavras, sempre saber o que estava escrito. Não fiz o Pré-primário e entrei na 1ª série conhecendo o alfabeto e os números que minha mãe já havia apresentado junto com algumas combinações de letras, palavras e desenhos . Sempre tive em minhas mãos a "Folhinha de São Paulo" , que trazia  um tema diferente toda semana e muitas atividades para desenvolver. Os presentes de minha infância muitas vezes eram livros e coleções de gibis dos primos mais velhos.
 
           Na 6ª série, passei por uma experiência muito boa e desafiadora: a professora Dagmar de Português, propôs em grupo um trabalho que foi um marco. Produzir um livro, com capa, ilustração, tudo feito por nós!
          Dos livros que ganhei alguns se tornaram inesquecíveis , como "Reinações de Narizinho" e "Meu Pé de Laranja Lima". Mais tarde ganhei "O Pequeno Príncipe” e que estranho, não me causou nenhum encantamento. Não consegui terminar sua leitura. . .não entendia qual era o problema. . . Ele ficou guardado até os meus 15 anos, quando retomei sua  leitura e então foi apaixonante . . .
          Meu encanto com a poesia foi no Ensino Médio, quando a professora Marília lia com tanto sentimento e alma que criava um ambiente maravilhoso para que as palavras tocassem a nossa alma também!  Ela contextualizava as obras falando sobre seus autores,  incentivando a leitura e a pesquisa de outras obras . . .
 
          Hoje percebo a importância desses incentivadores e patrocinadores da leitura e escrita e que importância tudo isso representa em minha vida!
                                                    
                                                                              Profª Marina Cardoso Ferreira 
                                                                                     
A História da minha querida Mãe              
         Vou contar aqui a história da minha mãe: uma mulher guerreira que sempre buscou o seu objetivo agindo com prudência e coragem. Não foi fácil conseguir vencer os obstáculos impostos pela vida, mas ela com a sua determinação, conseguiu passar por cima de todos obstáculos.
         A história da minha mãe não é muito diferente da história de muitos brasileiros.  Nasceu na Zona Rural, o seu pai era um matuto que só pensava em trabalhar para sustentá-la juntamente com seus irmãos. Talvez a falta de conhecimento fizesse com que ele nunca parasse para pensar no futuro deles, achava o trabalho mais importante do que a escola, por isso, não se preocupava com os seus estudos. 
         Assim, minha mãe cresceu sem aprender a ler e escrever enfrentando todos os problemas possíveis que um analfabeto possa enfrentar. As dificuldades começaram a se multiplicar após se tornar adulta e resolver se mudar para a cidade de Jussiápe no interior da Bahia, onde teria maior necessidade da leitura para facilitar a sua integração a essa nova sociedade.
          Após algum tempo mudou-se para São Paulo, visando uma vida melhor. Sabia das dificuldades que iria enfrentar em uma gigantesca metrópole. Afinal as dificuldades já são muitas para o cidadão alfabetizado, imaginem para um analfabeto que mal sabe assinar o nome. Ela é uma mulher corajosa sabe muito bem o momento certo de avançar e de recuar, e esse era o momento de avançar não permitiu que nada a impedisse de alcançar o seu objetivo.
           Chegando a São Paulo, sem se preocupar se sabia ou não ler e escrever, tratou logo de procurar um emprego, saia todos os dias em busca de trabalho passando de casa em casa, no intuito de trabalhar como doméstica, já que era a única coisa que sabia fazer. Foi quando em uma dessas casas, alguém a atendeu, e ela foi logo perguntando: - Você está precisando de empregada? - Sim, respondeu a mulher. - E voltou a perguntar. De onde você é? - E ela respondeu: eu sou da Bahia. - Retrucou a mulher: ah! Da Bahia eu não quero não.
          Minha mãe saiu triste, cansada, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Mas ela é insistente não desistia nunca, levantou a cabeça, enxugou as lágrimas e continuou a sua busca incansável, parou em frente à outra casa, tocou a campainha, e aguardou que alguém a atendesse. De repente a porta se abre, saiu uma mulher clara, e com uma voz meiga e suave perguntou-lhe: - Olá! O que a senhora deseja? - Minha mãe: eu gostaria de saber se a senhora está precisando de empregada? - Sim. Respondeu a mulher, e perguntou: mas, de onde você é? - Novamente ela respondeu: eu sou da Bahia. -Ah! Sim, disse a mulher: é da Bahia mesmo que a gente está precisando, entre vamos conversar.
            Depois de algum tempo, ela saiu toda feliz e foi para o ponto de ônibus, se esquecendo até que não sabia ler. Chegando lá, ela se deu conta de que não sabia ler, e pensou, se eu não sei ler, como é que eu vou saber qual condução tomar, já que moro na lapa e vou trabalhar na Pompéia. Mas, como ela era esperta e inteligente, (é que o fato de não saber ler nem escrever, não quer dizer que o ser humano não seja inteligente). Já no primeiro dia procurou saber do itinerário do ônibus. E depois de algum tempo, com a necessidade, aprendeu a ler a palavra LAPA. De todo sofrimento passado, ela aprendeu uma grande lição: prometeu para ela mesma que os seus filhos jamais iriam passar pelo o que ela passou, e disse: todos eles vão estudar e se formar. E assim se fez.
Parabéns mãe, a senhora conseguiu e nós lhe agradecemos muito por isso. Nós te amamos muito.
                                                          José Carlos, Eliete, Manoelito e Eliene.             

 

                                      Lembranças . . .
 
Não recordo exatamente sobre o meu primeiro livro, mas lembro da minha vontade enorme em aprender a ler e a escrever. Eu gostava que minha mãe lesse para mim todos os dias e achava o máximo ela olhar aquelas letras e dali sair uma história, só que ela não tinha muita paciência para isso e me dizia que, em breve, eu aprenderia a ler e poderia ler o quanto quisesse, todos os dias. Mas, na verdade, isso foi ótimo, pois a partir dali, comecei a querer aprender. Olhava cartazes, placas, tudo o que tinha letras e tentava juntar as sílabas e montar palavras. Talvez se minha mãe lesse tudo o que eu quisesse, eu não teria tido tanto empenho tão cedo.

Na escola, achava todas as professoras lindas, inteligentes e admiráveis. E foi daí que quis ser uma delas...

                                                       Francine Taberti Vieira

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