Em uma das etapas do Curso de Formação à Distância – Leitura e Escrita em
Contexto Digital da SEE-SP, 2012, nossa tarefa foi conhecer e estudar o
conceito e a história do blog, ver suas
possibilidades para utilizá-las na aprendizagem de nosso alunos. Para isso
visitamos blogs, assistimos entrevistas e criamos um blog colaborativo.
O
resultado dessa experiência está aqui, com o nascimento do blog “escolaonlinemmfde”. Nossa primeira publicação é uma produção
de textos que tratam da experiência de cada professor do grupo sobre a leitura e a escrita. . .
A importância da família e da escola podem ser comprovados
nessas experiências !
São
depoimentos que
emocionam . . .Faça essa viajem e
recorde seus primeiros passos com a leitura e a escrita!
Lembranças sobre a Leitura e a Escrita . . .
A história em quadrinhos fez parte do meu gosto pela
leitura . . . É um mundo fascinante, divertido, cheio de emoções, expressões,
mensagens . . .
Meus pais sempre incentivaram
a leitura. A escrita veio depois, queria
entender esse jogo de palavras, sempre saber o que estava escrito. Não fiz o
Pré-primário e entrei na 1ª série conhecendo o alfabeto e os números que minha
mãe já havia apresentado junto com algumas combinações
de letras, palavras e desenhos . Sempre tive em minhas mãos a "Folhinha de São Paulo" , que
trazia um tema diferente toda semana e
muitas atividades para desenvolver. Os presentes de minha infância muitas vezes
eram livros e coleções de gibis dos primos mais velhos.
Na 6ª série, passei por
uma experiência muito boa e desafiadora: a professora Dagmar de Português,
propôs em grupo um trabalho que foi um marco. Produzir
um livro, com capa, ilustração, tudo feito por
nós!
Dos livros que ganhei
alguns se tornaram inesquecíveis , como "Reinações
de Narizinho" e "Meu Pé de Laranja Lima". Mais tarde ganhei "O Pequeno Príncipe” e que estranho, não me causou nenhum
encantamento. Não consegui terminar sua leitura. . .não entendia qual era o
problema. . . Ele ficou guardado até os meus 15 anos, quando retomei sua leitura e então foi apaixonante . . .
Meu encanto com a poesia foi no Ensino Médio, quando a
professora Marília lia com tanto sentimento
e alma que criava um ambiente maravilhoso para
que as palavras tocassem a nossa alma também!
Ela contextualizava as obras falando sobre seus autores, incentivando a leitura e a pesquisa de outras
obras . . .
Hoje percebo a importância
desses incentivadores e patrocinadores da leitura e escrita e que importância
tudo isso representa em minha vida!
Profª Marina Cardoso Ferreira
A
História da minha querida Mãe
Vou contar aqui a história da minha
mãe: uma mulher guerreira que sempre buscou o seu objetivo agindo com prudência
e coragem. Não foi fácil conseguir vencer os obstáculos impostos pela vida, mas
ela com a sua determinação, conseguiu passar por cima de todos obstáculos.
A história da minha mãe não é muito
diferente da história de muitos brasileiros.
Nasceu na Zona Rural, o seu pai era um matuto que só pensava em
trabalhar para sustentá-la juntamente com seus irmãos. Talvez a falta de
conhecimento fizesse com que ele nunca parasse para pensar no futuro deles, achava
o trabalho mais importante do que a escola, por isso, não se preocupava com os
seus estudos.
Assim, minha mãe cresceu sem aprender
a ler e escrever enfrentando todos os problemas possíveis que um analfabeto
possa enfrentar. As dificuldades começaram a se multiplicar após se tornar
adulta e resolver se mudar para a cidade de Jussiápe no interior da Bahia, onde
teria maior necessidade da leitura para facilitar a sua integração a essa nova
sociedade.
Após algum tempo mudou-se para São
Paulo, visando uma vida melhor. Sabia das dificuldades que iria enfrentar em
uma gigantesca metrópole. Afinal as dificuldades já são muitas para o cidadão
alfabetizado, imaginem para um analfabeto que mal sabe assinar o nome. Ela é
uma mulher corajosa sabe muito bem o momento certo de avançar e de recuar, e
esse era o momento de avançar não permitiu que nada a impedisse de alcançar o
seu objetivo.
Chegando a São Paulo, sem se
preocupar se sabia ou não ler e escrever, tratou logo de procurar um emprego,
saia todos os dias em busca de trabalho passando de casa em casa, no intuito de
trabalhar como doméstica, já que era a única coisa que sabia fazer. Foi quando
em uma dessas casas, alguém a atendeu, e ela foi logo perguntando: - Você está
precisando de empregada? - Sim, respondeu a mulher. - E voltou a perguntar. De
onde você é? - E ela respondeu: eu sou da Bahia. - Retrucou a mulher: ah! Da
Bahia eu não quero não.
Minha mãe saiu triste, cansada, com
lágrimas escorrendo pelo rosto. Mas ela é insistente não desistia nunca,
levantou a cabeça, enxugou as lágrimas e continuou a sua busca incansável,
parou em frente à outra casa, tocou a campainha, e aguardou que alguém a
atendesse. De repente a porta se abre, saiu uma mulher clara, e com uma voz
meiga e suave perguntou-lhe: - Olá! O que a senhora deseja? - Minha mãe: eu
gostaria de saber se a senhora está precisando de empregada? - Sim. Respondeu a
mulher, e perguntou: mas, de onde você é? - Novamente ela respondeu: eu sou da
Bahia. -Ah! Sim, disse a mulher: é da Bahia mesmo que a gente está precisando,
entre vamos conversar.
Depois de algum tempo, ela saiu
toda feliz e foi para o ponto de ônibus, se esquecendo até que não sabia ler.
Chegando lá, ela se deu conta de que não sabia ler, e pensou, se eu não sei
ler, como é que eu vou saber qual condução tomar, já que moro na lapa e vou
trabalhar na Pompéia. Mas, como ela era esperta e inteligente, (é que o fato de
não saber ler nem escrever, não quer dizer que o ser humano não seja inteligente).
Já no primeiro dia procurou saber do itinerário do ônibus. E depois de algum
tempo, com a necessidade, aprendeu a ler a palavra LAPA. De todo sofrimento
passado, ela aprendeu uma grande lição: prometeu para ela mesma que os seus
filhos jamais iriam passar pelo o que ela passou, e disse: todos eles vão
estudar e se formar. E assim se fez.
Parabéns mãe, a senhora conseguiu e nós lhe agradecemos muito por isso.
Nós te amamos muito.
José Carlos, Eliete, Manoelito e
Eliene.
Lembranças .
. .
Não recordo
exatamente sobre o meu primeiro livro, mas lembro da minha vontade enorme em
aprender a ler e a escrever. Eu gostava que minha mãe lesse para mim todos os
dias e achava o máximo ela olhar aquelas letras e dali sair uma história, só
que ela não tinha muita paciência para isso e me dizia que, em breve, eu
aprenderia a ler e poderia ler o quanto quisesse, todos os dias. Mas, na
verdade, isso foi ótimo, pois a partir dali, comecei a querer aprender. Olhava
cartazes, placas, tudo o que tinha letras e tentava juntar as sílabas e montar
palavras. Talvez se minha mãe lesse tudo o que eu quisesse, eu não teria tido
tanto empenho tão cedo.
Na escola,
achava todas as professoras lindas, inteligentes e admiráveis. E foi daí que
quis ser uma delas...
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