terça-feira, 6 de novembro de 2012


O mundo Encantado e o Desencantamento do mundo
                Max Weber foi um sociólogo alemão que entre outros trabalhos preocupou-se em explicar o processo de racionalização do mundo moderno em seu livro “O desencantamento do mundo” nele Weber desenvolve a tese de que o processo de racionalização, atrelado com o desenvolvimento da ciência contribuíram para uma concepção utilitarista do homem, que é  própria e necessária ao capitalismo.
                Pois bem, deixando de lado Max Weber lembremos que a contribuição da ciência sociológica é propor ás pessoas uma interpretação de fatos que ocorrem sempre a nossa volta. Cada teoria sociológica tem a capacidade de compreender um aspecto da sociedade, um entendimento de algum  fato. Vamos utilizar a perspectiva veberiana para entender algo que aconteceu recentemente nos canais de TV paga.
                Havia um documentário cujo tema era “O novo Buda”, que, resumidamente, narrava a história verídica de um menino no interior da Índia que, tal a história de Sidarta Gautama tentava atingir a iluminação espiritual sentado debaixo de uma árvore. Para quem não conhece a história de Buda podemos dizer, resumidamente, que este era o nome de Sidarta Gautama depois que ele atingiu a Iluminação ou Nirvana. Sidarta era um príncipe Indu que após se defrontar com as misérias humanas abandona a família e a vida confortável de príncipe para fazer voto de miséria e castidade com o intuito de atingir a Iluminação espiritual. Após inúmeras tentativas ele finalmente se senta sob a copa de uma árvore e permanece ali por sete anos passando por inúmeras expiações até que um dia consegue atingir o Nirvana e chegar ao ponto em que se transforma em Buda – o Iluminado.
                Voltemos a historia recente, assim como o antigo Buda esse monge decide igualmente se sentar a sombra do Bodhi Satori (Árvore da Iluminação) e permanecer até que consiga atingir a Iluminação. Lembremos que Buda permaneceu na Árvore por sete anos. E agora recentemente o nosso monge, diferentemente do Buda é acompanhado por milhares de seguidores que anseiam por testemunhar a façanha do mesmo. Porém não temos apenas testemunhas religiosas, posicionada em frente à Árvore, se aglutinam muitos profissionais da imprensa, jornalistas e cientistas.
                Os motivos para elas ali estarem são o s mais diversos. Muitos esperam desmascarar uma fraude, outros esperam por um furo de reportagem, outros  o simples resultado documentário-jornalistico, outras acreditam realmente que o monge atinja a Iluminação e esperam venerar o seu mestre e alguns cientistas esperam analisar cientificamente o caso.
                Passado algumas horas em que o monge se colocou em meditação logo temos o documentário ilustrando toda a sorte de teorias científicas explicando quanto ele poderia permanecer ali sentado e do que poderia acontecer depois de horas sem comer nem ingerir líquidos. Enfim todas as teorias sobre a possibilidade de permanência ou não do monge. Até que um dia se passa e as teses científicas se intensificam cada vez mais. Depois se passam mais 36 horas e surgem mais possibilidade e mais teorias.
                Na verdade o que jornalistas, cientistas, telespectadores, etc buscam é na realidade um entendimento sistemático e racional para algo que escapa de sua compreensão. Assim como alertava o sociólogo alemão Max Weber, o ser humano moderno não consegue aceitar mais nada que não possa ser compreendido, que não seja racional. E mesmo de outra natureza e propriamente sobrenatural, como é a religião, a tendência  é colocar tudo  o que se ouve ou se  vê, em um padrão racional inteligível, ou mesmo palatável , aos nossos intelectos.
                Por fim, ao na hora do documentário dar um parecer sobre o desfecho que o monge teve, ou mesmo se era para apontar algo, não vemos nada, não chegamos a conclusão nenhuma, pois o doc indica que, o próprio monge cansado de ser observado se retira e nunca mais é visto, chegam até mesmo a especular se ele não havia sido sequestrado.
                Aí então respiramos aliviados, pois,  com o sumiço do monge perdemos a necessidade de analisar, decodificar, racionalizar, especular, entender. Parece que sabiamente mais do que o Nirvana o monge nos presenteia com a possibilidade de escaparmos de nós mesmos e da armadilha que criamos para nós. O monge desapareceu, mas podemos voltar a respirar aliviados com a certeza que o mundo agora pode voltar a ser encantado

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